Por Juliano Nicoliello e Thaís Colen
O cantor Bauxita, 30 de carreira, tem um currículo invejável. Fez 11 anos de canto lírico teve uma banda com Samuel Rosa do Skank. Foi convidado pra participar do Jota Quest, antes do Rogério Flausino. Já apresentou programa de TV e dividiu o palco com Ray Charles em seu show no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Bauxita nos conta sobre o início de sua carreira, fala sobre as dificuldades, influências musicais e sobre os planos para a sua carreira.Como você começou a se interessar por música?
Ouvindo meu pai nas viagens que fazíamos de ferias para a praia. Ele colocava fitas cassetes pra gente ouvir na estrada e cantava junto. Isso sempre me chamava à atenção pela excelente voz que meu pai tinha e tem até hoje. Ele foi e é o meu maior ídolo.
Como foi a reação da sua família quando você se decidiu pela carreira musical?
Quando realmente resolvi seguir carreira e abandonar os outros estudos, tive um puxão de orelha da família. Eles tinham receio deu me tornar um marginal, já que, na época, os músicos eram vistos dessa forma. Logo que eles viram que a coisa era séria e que eu tinha talento pra coisa, eles me apoiaram e me apóiam até hoje.
Quais as dificuldades você enfrentou no início da sua carreira musical?
No início era tudo difícil, não existiam instrumentos de qualidade no Brasil e os importados eram extremamente caros. Fora a dificuldade de se gravar, o tão sonhado LP. Os estúdios de gravação eram caros e nunca tinha horário vago. Muito diferente de hoje, onde você pode gravar dentro da sua própria casa. Além também das rádios que até hoje não apóiam ninguém independente, a não ser por dinheiro!!!
Qual foi a primeira chance que você teve de mostrar seu trabalho como músico?
A primeira porta que se abriu pra mim, foram as dos festivais, que na época eram a vitrine do novo músico. Participei de vários, o mais importante e que me marcou foi o Festival de bandas da rádio Antena 1. O mestre de cerimônia do evento era o grande comunicador da época, Dirceu Pereira. Minha banda na época ficou em sétimo lugar e até o sétimo participava da gravação do LP do festival, que nunca saiu!!!
Quais as suas influências musicais?
No começo só ouvia cantores internacionais, principalmente do Heavy Metal como Bruce Dickson do Iron Maiden, Ian Gilan do Deep Purple e muitos outros dessa praia. Não gostava muito da música nacional da época. Nada me agradava, muito menos os da música mineira, que só fui gostar muito tempo depois. Mesmo assim ainda tenho algumas restrições em relação à música mineira, aquela que todo mundo chama de musica de montanha.
Quantos álbuns você já gravou?
Já gravei muita coisa, desde participação em CDs de outros artistas, até CDs com bandas como: Sagrado Coração da Terra - O Grande Espírito (1994), Código B (2004), Código B - Seguindo em frente (2006) e Coletânea Código B (2009).
Você compõe suas músicas?
Sou mais interprete, não sou de compor muito. Já fiz duas letras para o CD do Código B Preciso te encontrar e Não posso mais te esquecer. Todas as letras, no meu caso, saíram porque eu estava triste e na fossa (risos). Só assim pra eu compor!!!
Escolho as musicas através da emoção que ela me transmite ou pelo impacto que ela possa causar no show. Adoro desafios e por isso procuro sempre aquelas músicas que exigem de mim algo a mais.
Quais seus projetos e planos para 2010?
Estou com vários projetos em andamento. Tenho feito shows com alguns amigos, como o pessoal do Omeriah. Eles são uma banda de reggae bem legal. Nesse show tocamos muito Tim Maia, Jorge Benjor, entre outros. Um outro projeto chamado Rock Machine, com outros amigos. Tocamos muitos clássicos do bom e velho rock, tipo Led Zeppelin, AC/DC, Black Sabbath, Jimi Hendrix, etc. Quanto ao Código B, estamos preparando um novo material, com novas músicas, mas não tem previsão de lançamento.
“Carreira solo” está em seus planos?
Sempre esteve. Mesmo eu fazendo parte de banda, penso em fazer um trabalho meu de intérprete, com muito groove e pegada. Esse projeto “tá” bem encaminhado e breve teremos novidades.
O que você pensa da cena musical em Minas?
A cena é boa. Temos vários talentos espalhados pelo estado inteiro, mas falta incentivo e apoio dos grandes veículos da mídia. Eles ainda não abrem espaço sem o tal do “JABÁ”, que existe e está cada vez mais presente.
Você já passou por alguma situação inusitada?
Quando estava no programa Alterosa Esporte, fui fazer um show em uma cidade. Como de costume, recebemos todos os fãs no camarim após o show, e nesse dia havia um cara que se julgava íntimo meu e me deu um “Pedala Robinho” na cabeça. Quando me virei achando que seria alguém conhecido ou um amigo, vi que nunca tinha visto aquela figura e fiquei “p” da vida. Se não fosse a minha produção, a coisa ia acabar mal.
Qual a contribuição dos 11 anos de canto lírico na sua formação musical?
O canto Lírico é à base de todo canto. Se você quer cantar popular e manter a sua voz por muitos e muitos anos, tem que estudar canto lírico. Aliás, cantar é uma arte em que você estuda o tempo todo e não pode parar. Até hoje utilizo as técnicas do canto Lírico na minha arte. É fundamental você ter uma boa base de estudos de canto para que no futuro, você não venha ter problemas vocais.
Por: Juliano Nicoliello e Thaís Colen

