Por Juliano Nicoliello e Thaís Colen
Filho do consagrado Beto Guedes, 58, e pai por duas vezes, Gabriel Guedes, 32, nos recebeu em seu recém lançado bar. O nome do bar é uma homenagem ao saudoso avô, Godofrêdo Guedes, conhecido também por Gegê. Além do talento genético, Gabriel herdou também a pasta de manuscritos originais de choros de Gegê, que foram tema do seu primeiro disco.
Gabriel relembra as histórias e dificuldades que enfrentou no início de sua carreira, as bandas pelas quais passou durante os 18 anos de estrada, como se interessou por música e seus planos para 2010.
Desde criança eu brincava com os instrumentos do meu pai lá em casa e sempre via tudo relacionado com música. Meu avô era músico também.
Qual foi seu primeiro instrumento?
O primeiro que eu identifiquei foi o violão e depois comecei apaixonar por guitarra. Eu arranho um pouquinho de piano, de bandolim e alguns instrumentos de corda.
Você fez algum curso de música?
Estudei violão um ano e meio na Fundação de Educação Artística e um ano na Pro Music. Na minha adolescência tocava guitarra e fiz um pouquinho de coral no Palácio das Artes. Sempre fui mais de ficar em casa mesmo, ia lá pegava um pouquinho a “manha” e estudava em casa.
Quais as dificuldades que você enfrentou no início da sua carreira?
Dificuldade? É tanta dificuldade, olha, tem dificuldade técnico-musical, tem de você não ser maduro e não saber bem o que vai querer e aquela dificuldade natural mesmo de todo mundo que começa tem. Apresentei em público pela primeira vez com 14 anos, daí pra frente tive algumas bandas e toquei em vários lugares. Em 2004 gravei um disco.
Minha primeira banda era uma banda de punk-rock chamada Ósmio. Eu na guitarra e agente tocava Ramones, Sex Pistols e The Clash. Essa banda durou um ano e meio. Depois tive algumas bandas de garagem, de rock dos anos 70, estilo Jimmy Hendrix. Depois uma banda de rock progressivo chamada Limbo. Nessa a gente tocava Gêneses, Yes e Pink Floyd. Nessa época, comecei a me interessar mais por música clássica e sou muito apaixonado desde que descobri a referência musical do nosso querido Johann Sebastian Bach.
Como foi a primeira oportunidade de se apresentar?
Sempre muito desfavorável. Sempre alguém levando vantagem ou você pagando pra tocar. Quando comecei a tocar eu fui muito explorado. A exigência era muito grande. É difícil até hoje.
Você participou do projeto Feira do Choro em 2009. Qual foi o repertório escolhido por vocês?
Bom, meu repertório de choro é basicamente de músicas do meu avô, Godofrêdo Guedes. Agente coloca Pixinguinha e Jacó do Bandolim, porque são músicas que o povo conhece e é importante conhecer e executar pra manter viva essa chama do chorinho.
Para você qual a importância desse evento para Minas Gerais?
É um projeto maravilhoso que tem um mérito gigantesco. Ele proporciona resgatar pessoas como Geraldinho Alvarenga e outros compositores ainda desconhecidos que mandam seus trabalhos. Assim como tem no choro, deveria ter em cada segmento musical diferente esse tipo de projeto.
Foi quando teve o primeiro boom do chorinho, acho que em 2002 ou 2003. Eu tenho uma pasta dos manuscritos originais dos choros do meu avô e pensei, poxa, o que eu podia fazer com essas partituras? Eu tinha um violão e troquei com um amigo meu por um bandolim, comecei a tirar os chorinhos e aí montei um grupo. A gente ficou tocando, em Belo Horizonte, durante um ano pra malhar as músicas na noite. Depois, com a ajuda de duas amigas que elaboraram o projeto pra mim, conseguimos o patrocínio do disco pela Lei de Incentivo a Cultura.
Esse é o primeiro, estou querendo gravar um disco autoral e paralelamente um disco de samba do meu avô no segundo semestre. Nos três primeiros meses um disco, nos três últimos o outro. Eu quero lançar no ano que vem.
Quais são suas influências musicais?
Eu sou apaixonado com música para orquestra, de Beethoven eu sou apaixonado à obra de Sebastian Bach. São o topo da construção da composição artística humana. Eu gosto muito de rock and roll. No fundo, no fundo eu sou roqueirão. Comecei escutando Beatles e Led Zeppeling. Porque o rock, ele dá um tesão na veia como nenhum outro estilo dá sabe? Já o gozo da música erudita é outro, talvez intelecto-sensorial ou espiritual. É outro tipo de visão.
Em Minas Gerais, o Clube da Esquina inteiro, em peso, sou apaixonado de cima pra baixo, de baixo pra cima. Conheço quase todas as músicas, porque você conhecer todas é difícil. Toninho, Tavinho, Bituca, nossa senhora, Lô, meu pai. E os letristas? Cada um mais maravilhoso que o outro. É outro estilo de fazer música, no ponto de vista do cotidiano mesmo.
Eu fiquei pensando em alguns lugarem que a música é mais industrializada, que a coisa vira um negócio. Eu acho que, as vezes, a música acontece por uma via mais mecânima mesmo. Já em Minas Gerais, as pessoas fazem essa música mais elaborada, mais bonita, mais séria mesmo. Eles tem um contato muito viceral, que talvez diferencie as melodias, as harmonias, as vezes meio esquisita, e é isso que eu acho que é o rico daqui.
Além de instrumentista, você é compositor?
As vezes eu demoro dois anos pra fazer uma música. Vejo muito músico falando que é compositor e eu acho que a pessoa mal sabe o que é um compositor de verdade. Me refiro a um Lô Borges, um Bach, um Beethoven, aí é uma outra coisa mais elaborada, mais top mesmo. Então eu acho que eu não sou compositor não. Acho que eu sou meio fazedor de música.
Como surgiu a idéia de abrir o bar Godofrêdo?
Antigamente a minha idéia era abrir um bar que se chamaria Johann Sebastian Bar. Uma homenagem mesmo, eu sou muito apaixonado pela música dele. Aí, derrepente, eu tive um insite espiritual e falei: Nó, tem que ser Godofrêdo.
Por: Juliano Nicoliello e Thaís Colen
O bar Godofrêdo fica na rua Paraizópolis, 738, no bairro Santa Tereza; e foi criado em parceria com Luciane Mendes (42), amiga e artista plástica. O ambiente do bar é charmoso, agradável e com uma música de excelente qualidade. Aberto de terça a domingo, de 18:00 às 00:00 horas com atrações musicais diversas.
Funcionamento:
Terça-feira: Piano bar, com Gabriel Guedes;
Quarta-feira: Trio de cordas com os músicos da orquestra sinfônica;
Quinta-feira: Dia de chorinho;
Sexta-feira: MPB, de Clube da Esquina a chorinho com guitarra e baixo;
Sábado: de MPB à Beatles;
Domingo: Piano bar, com Jamir.
Veja abaixo algumas fotos do Godofrêdo
Fotos: Thaís Colen


A música é da melhor qualidade, mas o cardápio é pobre, a cerveja é quante e o atendimento é péssimo. Pra quem quiser escutar uma boa música sem comer nem beber nada, é uma ótima opção. Mas se vc pretende ir a um bar, esqueça. Raquel, BH-MG
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